Repórter Simone Braga
Stefany Neves: A Força da Arte e o Extraordinário de Viver Após o Acidente que Mudou o Palco da Sua Vida
O “Câmara Rio Entrevista” desta semana abriu as portas para uma história que transcende a dança e a acrobacia: a jornada de Stefany Neves, bailarina e acrobata carioca que transformou a dor mais profunda em um vibrante hino de superação e amor à vida. Em uma conversa emocionante com Simone Braga, Stefany detalha os capítulos intensos de sua trajetória, desde o auge de um sonho até o renascimento após um grave acidente.
Do Balé Clássico ao Maior Circo do Mundo
Nascida em 1995, Stefany demonstrou desde cedo sua paixão pelos palcos. Aos 16 anos, formou-se em balé clássico e, com apenas 17, alcançou o inimaginável: ingressar no maior circo do mundo, nos Estados Unidos. A jovem, que audicionou antes da idade mínima, descreve a experiência de viver e viajar em um trem com artistas de todo o planeta como uma “vida mágica”, um aprendizado de maturidade e cultura.
A ascensão em sua carreira veio aos 19, quando aceitou o desafio de se tornar acrobata, um número de força capilar. Foi neste novo patamar, no espetáculo conhecido como “Candelabro Humano” em maio de 2014, que o destino fez sua curva mais dramática.
A Queda e o Recomeço Diário
O desabamento do candelabro, que despencou de uma altura de 12 metros—o equivalente a um prédio de quatro andares—com mais sete acrobatas, mudou a vida de Stefany para sempre.
A acrobata sofreu politraumatismo, com fraturas múltiplas no fêmur, costelas e ossos, além de ter o fígado perfurado. A luta pela vida começou ali, resultando em mais de dez cirurgias, três meses de internação, uma infecção generalizada e a perda severa de peso. O laudo médico foi categórico: Stefany Neves nunca mais voltaria a dançar.
O processo de recuperação foi uma batalha de sete anos, envolvendo intensa fisioterapia e terapia psicológica. Stefany não hesita em compartilhar a humanidade de sua dor, os dias de revolta, o questionamento do “porquê” seus sonhos haviam acabado tão jovem e o desejo de desistir. Foi nesse vale de dor que ela teve de reaprender o mais básico: respirar e andar.
O Amor, a Maternidade e a Autobiografia Neste caminho de reconstrução, a bailarina encontrou um pilar de apoio inabalável: o marido Ernesto, também artista circense. Ele a pediu em casamento um mês antes do acidente e, durante a internação, permaneceu ao seu lado. Stefany relata o medo de que ele ficasse por pena e a tentativa de afastá-lo, mas o amor de Ernesto mostrou-se fundamental para sua recuperação.
A experiência virou arte e relato na emocionante autobiografia “Baby Dancer”. Stefany explica que o livro é muito mais que a história do acidente, mas a narrativa de uma vida de superação que, segundo ela, começou ainda no útero de sua mãe.
Hoje, Stefany celebra o novo capítulo da maternidade. Grávida de sua primeira filha, Antonela, ela a enxerga como seu “milagre”, uma celebração da vida que floresce após a tempestade.
A Mensagem do Extraordinário no Cotidiano
Apesar das sequelas nas pernas e pés, que impossibilitam o retorno profissional aos palcos, Stefany fez as pazes com seu passado. Ela carrega a certeza de ser bailarina para sempre, dançando pela vida e não apenas nos palcos.
Sua mensagem de encerramento para o público é de profunda resiliência e gratidão:
- A Dor é Vida: A dor, seja no corpo ou na alma, faz parte da nossa trajetória e é um motivo para agradecer por estarmos vivos e de pé.
- Valorizar o Ordinário: Stefany convida a olhar para o “extraordinário” que reside nas coisas mais simples do cotidiano, como andar, comer e tomar um bom banho, pois ela foi privada dessas atividades por meses.
Stefany Neves é a prova de que as tempestades acabam e o sol sempre volta, trazendo consigo a força da arte como um caminho de renascimento e a beleza da vida em sua forma mais essencial.
Você pode conferir a entrevista completa no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=DKiKBw3tKWQ&t=17s